O Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que há “elevada probabilidade” de que a taxa básica de juros no país recue para patamares de um dígito no país, e que a inflação continue em baixa.
A última reunião do Comitê, ocorrida nos dias 17 e 18 de janeiro, e que reduziu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 10,5% ao ano, teve sua ata divulgada com esta afirmação. É importante lembrar que, nas últimas quatro reuniões, o Banco Central realizou cortes de 0,5 ponto percentual em cada uma e em agosto, os juros estavam em 12,5%. Na visão do Banco Central, a inflação está menos preocupante, e deve continuar em queda, movendo-se na direção do centro da meta de inflação, atualmente em 4,5%.
O Comitê avalia que, em princípio, a inversão na tendência da inflação contribuirá para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, em especial dos formadores de preços, sobre a dinâmica da inflação nos próximos trimestres. Para o Banco Central, a desaceleração da economia brasileira no final do ano passado foi maior do que o previsto. A crise na Zona do Euro foi a principal causa dessa desaceleração, de acordo com a entidade, provocando maior instabilidade nos mercados financeiros e retração no comércio exterior.

O Banco Central começou a cortar os juros em agosto do ano passado, em meio ao recrudescimento da crise europeia. A medida surpreendeu economistas de mercado, já que a inflação em 12 meses estava acima de 7%. Entretanto, a tendência de desaceleração da alta de preços se confirmou, e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano em 6,5% – limite superior de tolerância da meta de inflação, definida em 4,5% ao ano, com tolerância de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. Em janeiro, a prévia do IPCA mostrou uma nova redução. No acumulado em 12 meses, a taxa passou para 6,44%.
A próxima reunião para decidir a taxa de juros ocorre nos dias 6 e 7 de março deste ano.
*Por Maria Angélica Oliveira Luqueze - Estrategista de Investimentos
Fonte: Jornal Brasil Econômico – 26/01/2012