*Por Maria Angélica Luqueze
Janeiro/2012 foi um mês importante para o mercado financeiro. O Ibovespa subiu 11,13%, e a alta também foi observada em boa parte das bolsas de valores pelo mundo.
Isto porque o ano começou com sinalizações políticas mais favoráveis na Europa, com a dupla Angela Merkel (Alemanha ) e Nicolas Sarkozy ( França ) se reunindo logo na primeira semana do ano. As movimentações destes dois países são importantes, pois representam as principais economias da Europa. A mobilização teve continuidade no Fórum Econômico de Davos, na reunião de ministros de fazenda da zona do Euro, e finalmente no encontro de líderes da região.

Ao longo do mês, diversos Tesouros Nacionais de países que estão no centro da crise foram bem sucedidos na rolagem de títulos de dívida soberana, colocando seus papéis com boa demanda, a taxas de juros menores do que se esperava. Parece ser possível sentir os efeitos benéficos da operação de liquidez realizada pelo BCE ( Banco Central Europeu) no final do ano passado, a chamada LTRO (“Long Term Refinancing Operation”), através da qual o BCE proveu liquidez ao mercado no montante de € 489 bilhões.
Apesar do sucesso na colocação de títulos soberanos em janeiro, é importante atentar-se às rolagens de dívida nos próximos 3 meses, período que concentra o maior volume de vencimentos do ano, principalmente de Itália.
Esta liquidez abundante reduziu consideravelmente a percepção de risco do mercado em relação aos fundamentos da crise européia, e, de certa forma funcionou como uma “miopia” aos problemas estruturais do continente, contribuindo para um período de calmaria. A explicação é que a liquidez proporcionada pelo BCE reduz o risco no curto prazo, dando tempo para as autoridades buscarem avançar nos ajustes necessários, sem solucionar, no entanto, as questões estruturais.
O ambiente foi propício para uma subida dos preços de ativos de risco, justificando a forte alta nas ações. Ilustra muito bem esse movimento, a entrada de investidores estrangeiros na Bovespa, que somou mais de R$ 6,5 bilhões em 2012.
No mercado de renda fixa no Brasil, não houve surpresa em relação a decisão do Banco Central em sua primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (COPOM), que reduziu a taxa Selic em 0,50%.. A grande surpresa ficou por conta da ata do comitê divulgada na semana seguinte, pois sinalizou explicitamente que a taxa Selic deve ser cortada até o patamar de um dígito. Nunca o COPOM sinalizou com um “target” específico para os juros de forma tão clara.
Para fevereiro, é importante ter bastante atenção. A ampla liquidez mundial pode continuar trazendo efeitos benéficos para os preços dos ativos, principalmente as ações, porém, a alta no mês de janeiro já foi considerável. É necessário manter a atenção ao noticiário da zona do Euro, principalmente em relação à situação dos chamados países “periféricos”, Grécia e Portugal, e, em relação às rolagens de dívida soberana na Itália.